quinta-feira, novembro 30, 2006

UM COMPUTADOR POR CRIANÇA



Expectativa. Essa é a palavra que define meu posicionamento sobre a Laptop desenvolvido por uma empresa americana, para suprir as crianças do mundo com a tecnologia que se diz necessária a igualar as suas oportunidades no mundo globalizado.

A idéia é realmente revolucionária, e parte do princípio de que ferramentas como essas (acesso a tecnologias), são essenciais ao aprendizado, justamente no período em que uma criança está mais suscetível a receber, processar e assimilar conhecimento.

Não será um laptop de US$ 100....seu preço está próximo de US$ 150, mas pouco importa o preço, a essa altura. O que importa é o envolvimento de países de Terceiro Mundo para prover suas crianças carentes dessa importante ferramenta de futuro.

Como qualquer atitude revolucionária, é natural que o projeto fosse bombardeado de todos os lados, quer porque os países ricos não têm a exata compreensão do que seja a miséria e a falta de perspectiva de sair dela, quer porque, mesmo nos países em desenvolvimento, há uma elite (não as "zelites" tão em voga no discurso oportunista de um certo candidato a presidente da república) que sempre reverbera as opiniões que vêm de fora.

Não há a menor possibilidade, a meu ver, de que a distribuição desses Laptops não influa no aprendizado de crianças carentes.

Influirá sim. Mas não naquele tipo de aprendizado baseado na memorização, repetição, etc.

Nossos estudantes aprenderão (e essa é minha esperança) a procurar respostas. Estarão envolvidos nas conexões necessárias para pesquisar por palavras-chave, por conceito central...o que, por sua vez, auxilia no processo de reduzir uma idéia a um núcleo central.

Dirão, ao final do ano letivo. "- Nossa, passei de ano graças ao São Google!".

Mas isso não será verdadeiro....terão aprendido a pensar. Isso é o que espero.

Em tempo: ainda que todas as possibilidades de mal uso do Laptop sejam efetivas, ainda assim vale a pena. Uso de tecnologia para conectar-se a sites de relacionamento, a jogos virtuais, venda de equipamento por droga, etc, etc, etc.

Só não sei se uma criança, em bolsões de miséria e pobreza, limitada no seu mundo pelo nível intelectual de seus pais, com quem não discute coisas mais profundas do que as verdades absolutas como "foi Deus quem quis assim"...."esse é nosso destino"...."vamos pedir a Deus que mande chuva", e coisas do gênero, conseguirá romper o círculo vicioso e acabe descortinando para seus pais um novo mundo de informação.

Seria a revolução ao contrário !

Quem sabe !?

Daniel Bykoff, co-editor desse Blog, otimista convicto, e fazendo massa crítica

3 Comments:

At quinta-feira, novembro 30, 2006 7:07:00 AM, Blogger Massa Crítica said...

Gostaria de agradecer aos comentários dos amigos, no tópico anterior.....

valeu gente....estamos ainda conciliando projetos...e prometemos visitá-los, assim que isso seja possível.

Abraços fraternos aos blogueiros de plantão.

 
At sexta-feira, dezembro 01, 2006 10:58:00 AM, Blogger Andrea said...

Talvez São Google consiga o que a escola tem falhado em fazer. É tanta gente dizendo que o professor deve trabalhar a realidade do aluno que fica a cargo da escola apenas valorizar os conteúdos de que o coitado já dispõe. É um pecado mortal que se tente falar de coisas que, de acordo com alguns "estudiosos", não têm "aplicação na vida prática" dessas crianças...se Deus quiser e São Google ajudar elas serão salvas pela própria curiosidade!

 
At domingo, dezembro 03, 2006 9:54:00 AM, Anonymous Jaime, o Ministro Veiga said...

São Google pode até ajudar, mas de pouco adianta se as crianças não tem capacidade de síntese e interpretação textual ou mesmo de signos,isso quando nos referimos quanto ao aprendizado.

Esse é o primeiro ponto. O Brasil ainda não entrou sequer na "Galáxia de Gutemberg" e há uma afobação para que entre de sola na grande rede...claro que há alguns interesses econômicos/empresariais nessa história, mas deixa pra lá.

As escolas das grandes capitais já recebem, aos poucos mas em número crescente, computadores com acesso à Internet. Mas apenas 53% destes são utilizados pelos alunos. O restante é utilizado pelos "setores administrativos" das escolas.

O professor, nesse balaio? Se vira. Um cursinho de informática básica aqui e outro ali...e pronto. Já é um profissional qualificado para lidar com informática educativa. Na visão do estado e consultorias "me-engana-que-eu-gosto".

É por isso que vejo com desconfiança esse programa OLPC. Não é só distribuir um laptop bonitinho movido a bateria e com acesso wi-fi à Internet que vai resolver o problema da inclusão das crianças. E nem quanto ao aprendizado.

Comparo este laptop ao famigerado PENSE BEM, computadorzinho de brinquedo da TEC TOY, lançado pelos idos anos 90. Servia pra fazer umas continhas, uns desenhozinhos, uns joguinhos...se esse laptop de Nicholas Negroponte servirá para algo além de joguinhos, MSN, cópias do São Google e orkut, só o tempo dirá.

Inclusão digital passa por várias fases. Desde inclusão SOCIAL, inclusão econômica, mudança nos paradigmas educacionais ( de forma geral, desde professores, coordenadores pedagógicos da educação básica à universidade), políticas públicas inteligentes.

Se isso não ocorrer, ou melhor, se isso não começar a ser pensado para ser colhido a longuíssimo prazo, continuaremos com essa exclusão perversa e não será com o programa OLPC que isso irá diminuir. Milagres não acontecem da noite pro dia, sobretudo num país como o Brasil. Nem São Google dá jeito.

 

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