terça-feira, outubro 25, 2005

AS INTERMITÊNCIAS DA MORTE

Pois é amigos blogueiros. José Saramago irá lançar, no próximo dia 27 de outubro, em São Paulo, com direito a certificação ambiental e tudo, seu mais novo livro “As intermitências da morte”. Confesso-me ansioso não somente pela grandeza do autor, mas também pelo fascínio do tema, antes um grandioso tabu, hoje um assunto dos mais corriqueiros.

Pelo pouco que li das resenhas, Saramago propõe uma situação interessante: as pessoas param de morrer. Tudo vira o caos, com o colapso dos sistemas de previdência, falência de funerárias e da indústria que cerca a morte, culminando com a própria Igreja.

Realmente, o que a Igreja venderia, a partir do desaparecimento da morte ? Seu plano de marketing estaria irremediavelmente falido, pois não haveria como vender o conceito de PAGUE AGORA E DESFRUTE PARA SEMPRE!!!

O desaparecimento da morte me faz lembrar de dois filmes muito instigantes que assisti, cada um deles, a seu modo, muito interessantes. “Para Roseana” com o excelente Jean Rennó e “Encontro Marcado” com um Brad Pitt completamente diferente daquele que estamos acostumados a ver.

No primeiro, a luta desesperada de um marido para que ninguém morra na cidade e, assim, não ocupe a última vaga no cemitério, que ele pretende para sua esposa com grave enfermidade. Fantástico. No segundo, a morte encarna e deixa seus afazeres, por algum tempo, para sentir sensações humanas. Instigante.

Mas voltando a Saramago, parece que quando as coisas começam a se adaptar à nova ordem, a tal da morte volta ao convívio da humanidade, mas com um detalhe interessantíssimo: ela manda um recado de que virá buscar o dito cujo dentro de 7 dias.

Isso é o máximo mesmo: o Ceifeiro Implacável (Monty Phyton e o Sentido da Vida) dá um prazo para saber o que você faria se tivesse mais alguns dias...como na música de Paulinho Mosca: “Meu amor, o que você faria se só te restasse esse dia ???”

Acho que nos falta esse sentido de urgência da vida, de viver intensamente cada momento. Talvez fôssemos melhores assim, não fazendo tantos planos e deixando que o aqui e agora se manifestassem em toda sua plenitude.

Um beijo que não beijamos, um abraço que retribuímos mecanicamente, uma palavra de real solidariedade que deixamos entalada em nossa garganta, uma lágrima que escondemos de alguém .... tudo isso, tão banal, passaria a ter um significado enorme nessa semana de prazo. E por que não fazemos isso no resto de nossas vidas, mesmo que elas não terminem agora ?

José Saramago arremata com um “a única defesa contra a morte é o amor”, o que não deixa de ser uma grande verdade já cantada pelos 4 de Liverpool...”All you need is love”. Amor para a vida, amor para a morte.

E você ? O que faria na sua semana de aviso prévio ? Eu gostaria de saber !

Daniel Bykoff, curioso toda vida

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