sábado, julho 15, 2006

TRILHA SONORA ORIGINAL



Tempos difíceis esses aqui em Sampa. Acabo de ouvir sirene de um carro policial, quase meia noite (não é comum....mas pode ser somente coincidência). O caminhão de lixo parece ter passado mais cedo, talvez em razão do temor de atentados orquestrados ou de meros arruaceiros que aderem à onda para praticar suas maldades latentes, prontas para explodir.

Dizia que os tempos são difíceis, e talvez vocês se perguntem qual a relação dessa introdução com o título desta crônica.

Fiquei pensando nas minhas saídas tensas desses dias a prédios públicos, minha passagem por potenciais alvos para atentados, minha permanência em filas, alvos fáceis para franco-atiradores.....e aí percebi que eu me sentia (e sinto) um personagem de algum filme non sense, ou de algum filme policial. Parecia (e parece) que eu estava enredado numa trama de uma cidade sitiada....envolvido em teorias conspiratórias e explicações piores ainda (depois que a coisa está feita, somos capazes de encontrar mil justificativas e motivos....que nem sempre são aqueles que nos levaram a fazer....o famoso exemplo do Bombril, cujas 1001 utilidades nem de perto eram aquelas imaginadas pelo seu criador).

A única diferença para um filme foi a falta da trilha sonora !!! Nino Rota (Poderoso Chefão), Ângelo Badalamenti (Blue Velvet, Twin Peaks), Philip Glass (Koyaniskatsi, Powaqatsi) teriam dado um show se fossem os escolhidos para fazer a trilha sonora nesses acontecimentos, nesse filme que volta às telas, poucos meses depois de seu primeiro capítulo.

E aí, concluo que nossa trilha sonora individual fica sufocada, inaudível, massacrada pela trilha sonora do contexto....somos envolvidos no todo e acabamos perdendo nosso referencial.

Mas ainda assim, se por um momento conseguíssemos “ouvir” somente nossas verdades, perceberíamos que nossa trilha sonora individual, nossa trilha tema, aquela que nos identifica, quer nos maus, quer nos bons momentos, não desapareceu. Continua ali, desafiando acontecimentos, desafiando dissabores e desilusões, enfrentando extremos de alegria ou de tristeza. Somos o retrato dessa trilha e ela, tocada, nos representa perfeitamente.

A esta altura vocês devem estar se perguntando qual a trilha de cada um. Muito bom mesmo que o façam, porque essa pergunta eu deixo de desafio para quem quiser responder e comentar: qual é sua “trilha sonora original” ? Aquela que não muda....que continua a mesma. Quem sabe se, a partir da trilha sonora não consigamos nos conhecer um pouco mais....

A propósito, a minha, faça chuva ou faça sol, é CORAÇÃO TRANQUILO, de Walter Franco. É nela que me encontro, reencontro e me sinto bem....Porto alegre e porto seguro.

E essa é também a deixa para contar uma novidade. O Massa Crítica está experimentando novas mídias e aderiu, na trilha do pioneirismo do Jaime, ao podcast. Estamos tateando, experimentando, vivenciando.....”Are you experienced?” Se não ainda, está perdendo ......

Se quiserem compartilhar dessas nossas descobertas, vocês nos encontrarão também nos endereços de nossos podcasts:

http://massacritica.podomatic.com/
http://veiga.podomatic.com/

No primeiro vocês poderão ouvir, por enquanto, o Coração Tranqüilo de que falei acima....
No segundo....bem.....uma viagem pra lá de chapada sob a condução competentíssima do Veiga !!!

Nos veremos por lá também !!!!

Daniel Bykoff, co-editor deste Blog, “experimentando” novas formas de falar com o Mundo.




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