domingo, novembro 13, 2005

PERPLEXIDADE

"Foi difícil tomar essa decisão de sã consciência. A minha vida sempre foi um sacerdócio em defesa da natureza. É a nossa casa e o presente maior de Deus. Se ele deu a vida por nós, eu estou dando a minha vida por ele, defendendo o futuro dos nossos filhos. [...] Continuem a luta por mim".
Francisco Anselmo Gomes de Barros, ambientalista morto em Campo Grande, depois de atear fogo ao próprio corpo em protesto contra a instalação de Usinas de Álcool e Açúcar no Pantanal.

Há determinados tipos de acontecimentos que nos chocam. O protesto dramático e radical de Franselmo é um deles.

Já imaginaram o processo mental de uma pessoa que resolve dar a vida por uma causa ecológica, sendo essa pessoa a maior defensora de toda a manifestação de vida ?

Eu estou perplexo. Desde Mahatma Gandhi entendi que há formas não usuais de protestos, tão poderosas quando as formas ortodoxas. Gandhi era o grande expoente da não ação. Paradoxalmente a não ação de Gandhi fez mais pelo mundo do que muitas armas e revoltas violentas, ou do que muitos discursos inflamados.

Greves de fome geralmente desembocam no mesmo resultado e obrigam até mesmo nossos governantes a enfrentar a situação de outra forma (vide a questão da transposição do Velho Chico).

Mas não sei se Franselmo será mais eficaz morto do que vivo.... só sei que o preço dessa rodada é muito caro para pagar. Custa-me acreditar que eu esteja escrevendo sobre isso.

Estou realmente chocado e preciso partilhar essa impressão com mais pessoas.

Fundamentalismo ecológico agora? Será esse o caminho? Ou haverá outro ? Massa crítica, quem sabe !?

Daniel Bykoff, co-autor do Blog Massa Crítica, cidadão do mundo, profundamente entristecido.

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