quarta-feira, janeiro 04, 2006

PRIMEIRO TEXTO DO ANO

Chega de fim de ano. Habemos ano novo e essa é, agora, a nossa urgência: vivê-lo.

Cada um vai vivê-lo a seu modo, é bem verdade, e as prioridades de cada um vão diferir.

Para aqueles que ainda não compraram uma casa, não tiveram um filho, não terminaram seus cursos de graduação, essas certamente são aquilo que, com o perdão do pleonasmo, se considera “prioridades primárias”.

Outros planejarão o ano para conseguir um bom emprego, ter uma promoção, conseguir alguma bolsa de estudo, finalmente fazer o curso de línguas, encontrar a pessoa certa, regularizar sua situação no SERASA, acertar a dívida com o banco. Também prioridades urgentes.

Alguns outros planejarão suas viagens, uma mudança, a troca do carro, a transferência de faculdade, a abertura de um negócio, a criação de um Blog, a construção de um puxadinho nos fundos da casa da mãe. Também prioritárias na vida dessas pessoas.

Outros, ainda, se defrontarão com pagamentos de mensalidades escolares, de carnês de IPTU, de IPVA, de taxas condominiais, de honorários de advogados para uma dissolução de sociedade conjugal. Também prioritárias.

E assim, sucessivamente, poderíamos enumerar trocentas “prioridades primárias” na vida das pessoas, sem que elas percebam que há coisas mais prioritárias que essas, justamente porque ninguém pensa nelas.

É justo que, com tantas preocupações, as pessoas não se dêem conta da interdependência e inter-relação de suas vidas com o meio.

Que importa comprar uma casa se a cidade está poluída com amianto ? Que importa planejar um carro se as cidades se tornam inviáveis para o transporte individual ? Como planejar uma viagem se os destinos estão, quase todos, marcados pela ameaça de atentados terroristas ? Para que escrever livros ou blogs, se as pessoas estão interessadas na previsão do tempo, na escalação do time, ou nas taxas econômicas ?

Vida fora de controle e fora de equilíbrio.

Por que não pensar na fome do mundo ? Na escassez de recursos naturais ? No fim das guerras e na afirmação da Humanidade como projeto viável ? Porque não adianta ? Porque somos impotentes ?

Algumas pequenas iniciativas, que começam na nossa casa, no nosso prédio, no nosso bairro, na nossa cidade, no nosso estado, no nosso país, podem acabar mudando o rumo das coisas no mundo todo.

Escrever é uma delas. Clicar no The Hunger Site é outra. Clicar no Plante uma Árvore é outra. Associar-se a uma ONG é outra. Praticar a conservação de recursos é outra ainda. Interagir com seu vizinho é outra mais. Votar bem nem se fala. Praticar o amor incondicional ao planeta também.

Engajar-se em alguma coisa no que se acredita, verdadeiramente, é um ato de fé extrema....em si e na Humanidade. Acreditar que, atrás de você, muitas outras pessoas virão, não é ser messiânico. É amar a vida.

Viver o dia intensamente é, sobretudo, amar a perspectiva de um outro dia que carinhosamente chamamos de amanhã.

Fazer Massa Crítica é um pouco de exercício de amor. Incondicional. Escrever mesmo que os comentários não venham, que o contador de visitas não se mova, que as pessoas não se interessem.

Algum dia, em algum lugar, de alguma determina forma, alguém vai se interessar...e aí já seremos dois....e se mais pessoas se interessarem, já seremos muitos.

Que 2006 seja realmente o começo do resto de nossas vidas....e que façamos sentido nessa engrenagem gigantesca. É o que eu desejo para nós. Porque não há nada mais frustrante do que trabalhar dia e noite num quebra-cabeça para descobrir, no final, que ele está incompleto.

Paz, amor e solidariedade para 2006 ... para todo nós !

DANIEL BYKOFF, co-responsável pelo Blog, sedento de um ano de muitos desafios e realizações.

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