terça-feira, abril 11, 2006

COISAS...



Coisa 1

Fato raro: mãe de aluno em escola pública da periferia. Presenciei este fato raríssimo e passo aos nossos 3 ou 4 leitores ( obrigado!!!) o que ocorreu – e creio que algumas reflexões surgirão.

Pois bem, a mãe foi à escola não para acompanhar o ano letivo ou os estudos do filho; Foi para reclamar seus “direitchos” de bolsa-família que não estava recebendo. A mulher foi à escola acompanhada de uma filha pequena ( uns 5 ou 6 anos) e outra, bebê ainda, no colo.

Em dado momento, com dificuldades com o bebê e já nervosa com os rumos da conversa na secretaria ( além do fato do bebê estar vivo, talvez) chama a filha pequena e entrega a criança, com raiva:

- Segura essa coisa aí!

O problema não são as crianças jogadas no lixo deste país todos os dias; O problema é que várias crianças já estão na sarjeta mesmo antes de nascer. Crianças que se desenvolvem em ambientes tão agressivos, sem carinho, sem amor e respeito tendem a reproduzir futuramente todas as frustrações e maus tratos que sofrem diariamente.

Só um toquezinho: alguém pode chegar e dizer que tudo isso se resolve com educação. Ocorre, porém, que logo vinculam educação somente à escola. Quando na verdade educação é dever do estado, da família e da escola. Se deixarmos a COISA solta como está, a COISA vai ficar feia...se já não está.

Coisa 2

Suzanne Von Richtoffen não me convencera com aquelas pseudo lágrimas crocodilo. E achei que não convenceu a ninguém que assistira ao Fantástico (que às vezes deixa de ser “Cansástico”). Logo, todos souberam que tratava-se de uma orientação do advogado da assassina para tentar passar ao público a imagem “sofrida” e de “pobrezinha que sofre e está arrependida”.

Sobre a atuação do advogado da assassina, deixo a análise a cargo do meu partner campeão paulista 2006, o Dr. Daniel Bykoff. Quero tecer outro tipo de comentário, não na esfera jurídica da qual, confesso, sou um completo ignorante.

Mais uma vez temos um caso de manipulação e criação de imagem. Vivemos cada vez mais em um mundo manipulado. As figuras dos assessores de imprensa e do marqueteiro tornam-se imperativas para qualquer “personalidade”. A assassina Suzanne é uma celebridade, queiram ou não. Apareceu na TV é famoso ou famosa, nem que sejam por 15 minutos. De modo que essas pessoas necessitam passar uma imagem que cause uma reação ao público: o jogador de futebol bonzinho, humanitário, que doa cestas básicas às criancinhas do orfanato; A cantora de axé que empresta sua imagem a instituições como UNICEF e ONG’s; Artistas de telenovelas que estão sempre felizes, sorridentes, maquiados e “fashioned”* nas revistas de fofocas semanais.

Em relação a Suzanne, a Globo agiu como a “justiceira” da vez e, aliada à péssima interpretação da assassina, a justiça brasileira prendeu a moça novamente. Ficam aqui dois pontos:

1 – O poder que a TV exerce não apenas sobre as pessoas, mas sobre todos os aspectos da sociedade. Não fosse a “isca” montada, a assassina convenceria milhares de pessoas que estaria “arrependida e solitária”; Por outro lado, é impressionante como aquela máxima “apareceu na Globo, é verdade” ainda continua influenciando. Mas não só a Globo: na verdade a mídia televisiva utiliza o poder das imagens para conseguir o decantando “ibope” e que se dane ética – alguém lembra da “entrevista” dos membros do PCC ao Gugu? Farsa grotesca e que não apenas seria passível de prisão como também de extinção do programa “Domingo Legal”, que continua até hoje com níveis de “ibope” respeitáveis. E por que? Porque o apresentador Augusto Liberato trabalha sua imagem de bom moço. Até chora na TV. Chorou na TV, o brasileiro se derrete todo.

2 – E o que nós temos, hoje? Programas de TV’s e rádios com verdadeiros “justiceiros” que recebem todo o tipo de “denúncias” e os “justiceiros” supostamente encaminhariam para as “otoridades competentes”. Como o poder público não resolve nada e Jesus Cristo pelo visto vai demorar mais um tempo para voltar, as pessoas recorrem aos “justiceiros da mídia” para que de alguma forma seus problemas sejam resolvidos. Além dos tais “justiceiros”, temos as “psicólogas” de TV. Pessoas comuns que se submetem aos delírios de apresentadoras com um olho no merchandising de câmeras digitais e produtos para ginástica em casa e outro olho no tal aparelhinho do “ibope”.

Não deixa de ser uma busca por parte destas pessoas ditas “comuns” por um pouco de visibilidade, por um pouco de atenção. Mas quem aproveita mesmo esse anseio pela visibilidade e carência é aquela categoria que melhor trabalha a imagem: os políticos. São mestres nesse aspecto. Político sério, honesto, trabalhador e experiente vai surgir a granel nestas eleições.

E nem é necessário plano de governo: basta uma bela imagem com as características acima e pronto. Brasileiro fica comovido com duas coisas na TV: chororô ( por isso a câmera dá um close nos olhos marejados de gente que chora) e musiquinha mezzo triste mezzo melosa com alguém bem representante do povo “com cara de esperança” em câmera lenta.

Aí até a Suzanne chora. E de verdade.

Jaime Guimarães já foi manipulado aos 7 anos de idade por musiquinhas bonitinhas de polítcos: musiquinhas de Francisco Rossi para prefeito e Orestes Quércia ( “o sol nasceu pra todos e também para você/ vote Quércia/ vote Quércia/ PMDB”) fizeram com que intercedesse ao pai e a mãe para votarem nos ditos cujos. Ainda bem que não deram atenção à criança.

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